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Conheça a Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN)

  • drafabiananeurolog
  • 14 de ago. de 2025
  • 3 min de leitura


A Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN) é uma condição neurológica em que ocorre acúmulo de líquido cefalorraquidiano (LCR) nos ventrículos do cérebro. Embora a pressão intracraniana não aumente de forma tão acentuada quanto em outros tipos de hidrocefalia, o excesso de LCR pode, ao longo do tempo, comprimir o tecido cerebral e comprometer funções importantes, como a cognição, controle urinário e, principalmente, a marcha.


A HPN é mais comum em pessoas com mais de 65 anos, com idade média de início por volta de 70 anos, e a incidência aumenta com a idade.


Existem duas formas principais de HPN:

HPN primária (idiopática)

  • Sem causa conhecida, geralmente associada ao envelhecimento,

  • Pode envolver alterações na produção, circulação e reabsorção do LCR,

  • Possível associação com doenças degenerativas do cérebro, como a Doença de Alzheimer.

HPN secundária

  • Causada por outra condição que afeta o fluxo do LCR:

    • Traumatismo craniano

    • Hemorragia intracraniana

    • AVC

    • Tumores cerebrais

    • Infecções cerebrais (meningite, encefalite)

    • Aneurismas


Sintomas da HNP - Tríade clássica (Hakim e Adams):

Nem todos os pacientes apresentam a tríade completa (12 - 60% dos casos).

Problemas de marcha (80–95% dos casos)

  • Dificuldade em levantar os pés, dando a sensação de que estão "grudados no chão": marcha magnética ou apráxica,

  • Passos curtos, arrastados e instáveis,

  • Dificuldade para mudanças de direção e sentar/ levantar,

  • Padrão de passos alargados.

Incontinência urinária

  • Urgência urinária ou perda involuntária de urina.

Dificuldades cognitivas

  • Lentidão mental,

  • Problemas de memória e desatenção,

  • Disfunção executiva: dificuldade de planejamento, tomada de decisão e controle emocional.

    Observação: pode apresentar parkinsonismo associado.


Diagnóstico

  • Exame clínico e neurológico,

  • Baterias cognitivas,

  • Exames de imagem:

    • RM de crânio é preferencial, permitindo visualização detalhada dos ventrículos e do espaço subaracnóideo.


  • Punção lombar diagnóstica ou teste de remoção de LCR: ajuda a prever a resposta à cirurgia,

  • Exames laboratoriais: excluem outras causas e monitoram complicações pós-cirúrgicas.



Principais doenças neurodegenerativas que devem ser consideradas no diagnóstico diferencial da HPN idiopática:

  • Demência com corpos de Lewy (DCL)

    • Declínio cognitivo com déficit visuoespacial e executivo predominante,

    • Alucinações visuais complexas,

    • Parkinsonismo.

  • Doença de Parkinson (DP)

    • Parkinsonismo precoce: tremor de repouso, rigidez em roda dentada, bradicinesia, marcha parkinsoniana com instabilidade postural,

    • Assimetria marcante,

    • Comprometimento cognitivo geralmente tardio.

  • Demência vascular (DV)

    • Achados assimétricos, déficits focais,

    • Alterações piramidais precoces: reflexos exaltados, espasticidade, sinal de Babinski,

    • Início agudo e evolução em degraus.

  • Parkinsonismo vascular

    • Sintomas parkinsonianos predominantes em membros inferiores (“lower body parkinsonism”),

    • Neuroimagem: microangiopatia e/ou lesões lacunares isquêmicas periventriculares ou nos núcleos da base.

  • Paralisia supranuclear progressiva (PSP)

    • Alteração precoce da marcha, quedas frequentes,

    • Parkinsonismo,,

    • Déficit de motricidade ocular extrínseca (inicialmente vertical).

  • Doença de Alzheimer (DA)

    • Pode coexistir com HPN,

    • Quadro com alterações amnésicas proeminentes e déficits corticais (visuoperceptivo, visuoespacial, linguagem, apraxia),

    • Alteração de marcha não é típica nas fases iniciais de DA isolada.



Tratamento

O tratamento depende do tipo de HPN e da gravidade dos sintomas.

HPN primária (idiopática)

  • Cirúrgico: Shunt (derivação) - válvulas fixas ou programáveis.

  • Melhora dos sintomas:

    • Marcha: ~85%

    • Incontinência urinária: 50–80%

    • Déficit cognitivo: ~80%

HPN secundária

  • O tratamento foca na causa subjacente,

  • Cirurgia de derivação pode ser necessária se houver acúmulo persistente de LCR.



Complicações da derivação

  • Infecção do shunt,

  • Obstrução ou mau funcionamento,

  • Drenagem excessiva ou insuficiente,

  • Deslocamento de cateteres ou válvulas.


Prognóstico

  • Diagnóstico e tratamento precoces aumentam a chance de recuperação,

  • Pacientes com sintomas leves e curta duração respondem melhor à cirurgia,

  • Sintomas graves ou presença de doenças degenerativas limitam a melhora,

  • HPN é crônica, mas tratável; o tratamento adequado pode melhorar qualidade de vida e independência.


Conclusão

A HPN evoluiu de uma condição considerada irreversível para um distúrbio potencialmente tratável, principalmente da marcha. A detecção precoce, o diagnóstico cuidadoso e o tratamento adequado com shunts melhoram significativamente os sintomas e a qualidade de vida.


Dra Fabiana de Moraes Goraieb

Neurologista Clínica

Especialista em Distúrbios do Movimento e Doença de Parkinson

CRM 163559 SP / RQE 73129



Fonte:

  1. Ghosh S, Lippa C. Diagnosis and prognosis in idiopathic normal pressure hydrocephalus. Am J Alzheimers Dis Other Demen. 2014 Nov;29(7):583-9. doi: 10.1177/1533317514523485. Epub 2014 Feb 18. PMID: 24550545; PMCID: PMC10852782.

  2. Passos-Neto CEB, Lopes CCB, Teixeira MS, Studart Neto A, Spera RR. Normal pressure hydrocephalus: an update. Arq Neuropsiquiatr. 2022 May;80(5 Suppl 1):42-52. doi: 10.1590/0004-282X-ANP-2022-S118. PMID: 35976308; PMCID: PMC9491444.

 
 
 

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