Síndrome Metabólica e o risco de Doença de Parkinson
- drafabiananeurolog
- 20 de ago. de 2025
- 2 min de leitura

A síndrome metabólica (MetS) é um conjunto de alterações metabólicas que inclui obesidade abdominal, hipertensão arterial, dislipidemia e alterações na glicemia. Estima-se que ela afete cerca de 1 em cada 4 adultos no mundo, representando um fator de risco conhecido para diversas doenças crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares e câncer. Mais recentemente, estudos têm indicado que a MetS também pode aumentar o risco de desenvolvimento da Doença de Parkinson (DP).
Em uma pesquisa realizada com mais de 460 mil adultos do Reino Unido, foi observado que indivíduos com MetS apresentaram um risco 39% maior de desenvolver DP ao longo de cerca de 15 anos de acompanhamento. Além disso, o risco aumentava de forma progressiva com o número de componentes da MetS: aqueles que possuíam quatro ou cinco fatores apresentavam as maiores chances de desenvolver a doença. Entre os componentes individuais, obesidade abdominal, HDL-C baixo e glicemia elevada foram os que mais contribuíram para o aumento do risco, enquanto níveis elevados de triglicerídeos não mostraram associação significativa.
Outro aspecto importante identificado pelo estudo foi o papel da predisposição genética. Indivíduos que apresentavam MetS e alto risco genético para DP tiveram mais que o dobro do risco de desenvolver a doença quando comparados àqueles sem MetS e com baixo risco genético. Isso sugere um efeito sinérgico, em que a presença de fatores metabólicos aumenta significativamente a vulnerabilidade em pessoas geneticamente predispostas.
Os mecanismos biológicos que podem explicar essa relação incluem resistência à insulina, estresse oxidativo e inflamação crônica, que afetam diretamente os neurônios dopaminérgicos e comprometem a barreira hematoencefálica. Além disso, hipertensão e alterações lipídicas podem causar lesões cerebrovasculares, contribuindo para o surgimento dos sintomas clínicos da DP.
Esses achados têm implicações importantes para a prática clínica. A MetS surge como um fator de risco modificável para a Doença de Parkinson, e o controle do peso, da pressão arterial, do colesterol e da glicemia pode ser especialmente relevante para pessoas com predisposição genética. Estratégias preventivas focadas na redução do número de componentes da MetS podem, portanto, contribuir para diminuir o risco de desenvolvimento da DP.
Em resumo, manter a saúde metabólica não é apenas essencial para prevenir doenças cardiovasculares ou diabetes, mas também pode desempenhar um papel crucial na prevenção da Doença de Parkinson, especialmente em indivíduos mais vulneráveis geneticamente.
Dra Fabiana de Moraes Goraieb
Neurologista Clínica
Especialista em Distúrbios do Movimento e Doença de Parkinson
CRM 163559 SP / RQE 73129
Fonte:
Zhang X, Wang J, Dove A, Yu T, Li Q, Gottesman RF, Xu W. Metabolic Syndrome and Incidence of Parkinson Disease: A Community-Based Longitudinal Study and Meta-Analysis. Neurology. 2025 Sep 23;105(6). doi:10.1212/WNL.0000000000214033.

