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Doença de Parkinson e Gravidez

  • drafabiananeurolog
  • 20 de ago. de 2025
  • 4 min de leitura

  • A prevalência da Doença de Parkinson (DP) está aumentando no mundo.


  • A incidência cresce com a idade, mas 5–10% dos casos são diagnosticados antes dos 40 anos. Ou seja, muitas mulheres são diagnosticadas com a Doença de Parkinson, ainda na sua idade reprodutiva.


  • Em artigo recém publicado na Movement Disorders Clinical Practice, "The Management of Parkinson's Disease Before, during and after Pregnancy—an MDS Scientific Issues Committee Review", os autores fazem orientações práticas para o manejo de condições em mulheres com D.Parkinson durante a gestação, o parto e o pós-parto.



    CUIDADOS PRÉ-CONCEPÇÃO


    • Cada consulta com mulheres em idade fértil com DP é uma oportunidade para discutir planejamento reprodutivo.

    • A DP não parece afetar fertilidade nem aumentar riscos específicos da gravidez.

    • Vitaminas pré-concepção seguem recomendações usuais.

    • Até 40% das mulheres com D.Parkinson de início precoce apresentam variantes genéticas, sendo o aconselhamento genético indicado.


    Medicações Anti-Parkinsonianas

    • Ainda há poucos estudos sistemáticos, e os dados vêm de relatos de casos.

    • Preferir a monoterapia em vez da politerapia, no manejo da D.Parkinson durante a gestação.

    • A Levodopa (carbidopa ou benserazida) é a medicação de primeira escolha, com dados de segurança razoáveis.

    • A amantadina é contraindicada, devido seu risco teratogênico.

    • Em fases iniciais e pouco sintomáticas da doença, pode-se adiar tratamento farmacológico até após a gestação.


    Exercício Físico

    • Exercício aeróbico, de resistência e exercícios corpo-mente, melhoram o equilíbrio, sono, função cognitiva e sintomas motores da doença.

    • Exercício moderado é seguro na gestação e reduz complicações (hipertensão, diabetes gestacional, dor musculoesquelética, ganho excessivo de peso).

    • Recomendações: 30 min/dia, 5–7 dias por semana.

    • Avaliação prévia com fisioterapia neurológica é indicada.


    Sintomas Não Motores

    • A gestação pode piorar a gastroparesia, náusea, refluxo e constipação.

    • A hipotensão ortostática pode piorar no 2º trimestre.

    • Disfunções urinárias aumentam risco de infecção urinária.

    • Manter peso saudável reduz risco de complicações (diabetes gestacional, AOS, hipertensão).


    Estimulação Cerebral Profunda (DBS)

    • Pode permitir redução de medicamentos e da exposição fetal.

    • Dados sobre DBS na gravidez ainda são muito escassos.

    • Pode haver necessidade de ajuste da estimulação durante a gestação para manter a eficácia.

    • Recomendações práticas:

      • Preferir dispositivos recarregáveis em mulheres jovens, para evitar a troca de bateria na gestação.

      • Se gravidez planejada, considerar troca antecipada da bateria para prevenir complicações cirúrgicas durante gestação.



CUIDADOS DURANTE A GESTAÇÃO


Manejo dos sintomas motores

  • Sintomas podem melhorar ou piorar durante a gravidez.

  • Estrogênio pode ter efeito neuroprotetor e dopaminérgico, melhorando sintomas motores.

  • Manejo do tratamento farmacológico e terapias avançadas podem ser necessárias.

  • Reabilitação e exercício: comunicação entre neurologista, obstetra e ginecologista é fundamental para um plano de reabilitação integrado.


Manejo dos sintomas não motores

  • Há opções medicamentosas seguras para: anemia, constipação, náusea e vômito, hipotensão ortostática, fadiga, ansiedade e depressão, psicose, sialorréia e hiperidrose e dor crônica.



CUIDADOS NO PERIPARTO


  • A decisão sobre a via de parto deve se basear em indicações obstétricas e, sempre que possível, em um plano de parto previamente discutido.

  • Ambiente: resfriar o quarto pode ajudar mulheres com hipotensão ortostática ou hiperidrose.

  • Medicação: a levodopa oral deve ser mantida durante o trabalho de parto vaginal, incluindo doses adicionais habituais.


CUIDADOS PÓS-PARTO

  • Monitorização obstétrica intensiva e avaliação neurológica dentro de 24 horas.

  • Analgesia: anti-inflamatórios não esteroides (ibuprofeno, diclofenaco) são preferidos por serem seguros na amamentação e evitarem opioides. É necessário monitorar risco de hipertensão.


    AMAMENTAÇÃO

  • A levodopa e agonistas dopaminérgicos podem reduzir a lactação (diminuição da prolactina).

  • Envolver uma consultora de amamentação por volta da 36ª semana pode ser útil.

  • Estima-se que lactentes recebam apenas 0,3–0,5% da dose materna de levodopa via leite, sem efeitos adversos relatados (embora os dados sejam limitados).

  • O DBS não interfere na amamentação.

  • Recomendação: se a mãe deseja amamentar e precisa de tratamento farmacológico, preferir levodopa/benserazida ou levodopa/carbidopa em monoterapia. Caso sejam necessários outros fármacos, pode ser preciso suspender a amamentação.



Conclusão

  • Apesar de os dados disponíveis ainda serem escassos, mulheres com D.Parkinson podem passar por gestação, parto e amamentação de forma segura quando há planejamento e cuidado multidisciplinar.

  • O registro internacional PregSpark (https://pregspark.com/) surge como oportunidade para coleta sistemática de dados reais e robustos, que irão orientar futuras diretrizes. (O objetivo do PregSpark é criar um Registro Internacional de Gravidez e D.Parkinson on-line: coletar dados gestacionais de mulheres com Doença de Parkinson em todo o mundo.)



Atenção: Esta publicação tem caráter INFORMATIVO para pacientes e familiares, e muitas informações médicas que estão no artigo utilizado para a pesquisa, não foram incluídas para evitar gerar confusão.

Se você pretende engravidar ou está grávida e possui Doença de Parkinson, é FUNDAMENTAL o seguimento regular com Médico Neurologista e equipe multidisciplinar.

Leitura recomendada aos profissionais da saúde:

Lehn AC, Lee JY, Sciacca G, Patterson S, Morton A, Pun P, Kamel WA, Picillo M, Post B, Tan EK, Capato T, Bloem BR, Auffret M, Oosterbaan AM, Kapelle W, Bruno MK, Kalia LV, Kordower JH, Berg D. The Management of Parkinson's Disease Before, during and after Pregnancy-an MDS Scientific Issues Committee Review. Mov Disord Clin Pract. 2025 Aug 20. doi: 10.1002/mdc3.70289. Epub ahead of print. PMID: 40832691.



Dra Fabiana de Moraes Goraieb

Neurologista Clínica

Especialista em Distúrbios do Movimento e Doença de Parkinson

CRM 163559 SP / RQE 73129



 
 
 

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