Levodopa e sua absorção na Doença de Parkinson
- drafabiananeurolog
- 6 de ago. de 2025
- 3 min de leitura

A levodopa é a medicação mais usada para os sintomas da Doença de Parkinson, há mais de sete décadas.
A levodopa é uma substância que o corpo transforma em dopamina, um neurotransmissor fundamental para o funcionamento do cérebro e o controle dos movimentos, que está diminuído na Doença de Parkinson.
Apesar de eficaz, a levodopa apresenta desafios importantes relacionados à sua absorção e metabolismo.
Desafios no Trato Gastrointestinal (TGI)
Quando a levodopa é tomada, parte é quebrada no estômago e intestino antes de chegar ao sangue, o que diminui a quantidade que realmente age no cérebro.
A maior parte da levodopa é absorvida no começo do intestino, onde ela precisa competir com alguns alimentos para ser absorvida pelo corpo.
Disfunções gastrointestinais na Doença de Parkinson
Em pessoas com Doença de Parkinson, o funcionamento do estômago e intestino pode estar mais lento ou alterado, dificultando o transporte e a absorção correta da levodopa.
A constipação intestinal é um sintoma frequente e pode surgir até 20 anos antes dos sintomas motores da doença, como tremores e dificuldade para se movimentar.
Impacto dos problemas digestivos na absorção da levodopa:
Quanto mais tempo a levodopa fica no sistema digestivo, maior a chance de ser quebrada antes de fazer efeito, diminuindo sua eficácia.
Influência de enzimas na absorção da levodopa:
No corpo, existem substâncias chamadas enzimas que podem transformar ou quebrar a levodopa antes que ela seja absorvida no intestino e antes que ela chegue ao cérebro.
Por isso, usamos remédios que bloqueiam essas enzimas para que mais levodopa chegue ao cérebro.
Cada pessoa tem níveis diferentes dessas enzimas, por isso a resposta ao tratamento pode variar de um paciente para outro.
A atividade dessas enzimas varia de pessoa para pessoa, afetando como cada um responde ao tratamento.
Disfagia
A disfagia (dificuldade para engolir) é comum em todos os estágios da Doença de Parkinson.
Ela pode ser causada por alterações no cérebro relacionadas à doença e por outros fatores.
Pessoas com disfagia têm mais dificuldade para engolir os comprimidos de levodopa, o que prejudica o tratamento.
Gastroparesia
A gastroparesia é a lentificação do esvaziamento do estômago, é comum na doença de Parkinson e pode ser causada pela própria doença, por outras doenças ou medicamentos.
Quando o estômago demora para esvaziar, a levodopa fica mais tempo lá, sendo quebrada antes de ser absorvida. O que atrasa o efeito do medicamento e pode piorar as flutuações dos sintomas motores.
Infecção por Helicobacter pylori (HP)
A infecção no estômago por essa bactéria pode dificultar a absorção da levodopa e piorar os sintomas.
Tratar a infecção pode melhorar a resposta ao medicamento, mas os resultados ainda não são totalmente claros.
Dieta
Tomar levodopa com o estômago vazio ajuda a melhorar seu efeito.
Proteínas presentes em alimentos podem atrasar o esvaziamento do estômago e competir com a levodopa para serem absorvidas.
Dietas com menos proteína durante o dia, concentrando o consumo à noite, podem melhorar o efeito da levodopa.
Recomenda-se tomar a medicação 45 a 60 minutos antes ou depois das refeições e evitar proteínas perto desse horário.
Microbiota intestinal
O supercrescimento bacteriano no intestino delgado está ligado a piora dos sintomas e resposta ao tratamento.
Constipação intestinal
Está ligada à lentidão do intestino, o que atrasa o trânsito intestinal e dificulta a absorção da levodopa.
A constipação pode piorar o atraso do esvaziamento do estômago, aumentando a chance da levodopa ser quebrada antes do efeito.
Estratégias para melhorar o tratamento
Avaliar e tratar problemas digestivos é essencial para melhorar a resposta à levodopa.
Usar formulações que se dissolvem mais rápido pode ajudar pacientes com dificuldade para engolir ou gastroparesia.
Tomar vitamina C junto com a levodopa pode melhorar sua absorção.
Se o tratamento oral com levodopa não funcionar bem, outras opções de medicamentos e vias de administração como adesivos, podem ser alternativas eficazes.
Essas opções também podem ajudar a melhorar sintomas digestivos.
Conclusão
A levodopa enfrenta vários obstáculos no sistema digestivo que podem reduzir sua eficácia.
Identificar e tratar esses problemas deve fazer parte do cuidado diário de quem tem Doença de Parkinson para melhorar o controle dos sintomas e a qualidade de vida.
Dra Fabiana de Moraes Goraieb
Neurologista Clínica
Especialista em Distúrbios do Movimento e Doença de Parkinson
CRM 163559 SP / RQE 73129
Fonte:
Leta V, Klingelhoefer L, Longardner K, Campagnolo M, Levent HÇ, Aureli F, Metta V, Bhidayasiri R, Chung-Faye G, Falup-Pecurariu C, Stocchi F, Jenner P, Warnecke T, Ray Chaudhuri K; International Parkinson and Movement Disorders Society Non-Motor Parkinson's Disease Study Group. Gastrointestinal barriers to levodopa transport and absorption in Parkinson's disease. Eur J Neurol. 2023 May;30(5):1465-1480. doi: 10.1111/ene.15734. Epub 2023 Mar 7. PMID: 36757008.
Riederer P, Strobel S, Nagatsu T, Watanabe H, Chen X, Löschmann PA, Sian-Hulsmann J, Jost WH, Müller T, Dijkstra JM, Monoranu CM. Levodopa treatment: impacts and mechanisms throughout Parkinson's disease progression. J Neural Transm (Vienna). 2025 Jun;132(6):743-779. doi: 10.1007/s00702-025-02893-4. Epub 2025 Apr 11. PMID: 40214767; PMCID: PMC12116664.





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